Paulinha Online

29, out , 2008

Jornalismo bom e a rival da Angie

Filed under: Notas e Fatos,notícia boa!,Oi? — by Ana Paula @ 3:52 pm
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Eu normalmente não uso este blog para fazer fofoca – com exceção do post abaixo - mas a revista americana Star, no estilo tablóide, me impulsionou a fazer uma séria análise jornalística de sua última capa. Ou algo do tipo.

 

 

Como você, leitor Gaspar, pôde notar, a Angie faz cara de (preencha aqui com o que preferir) pra Jenn, que está toda contente com os planos para seu casamento com o cantor John Mayer.

Isso é que é Jornalismo! Fotografias posicionadas estrategicamente a fim de mostrar a qualquer um com um pouco de noção que Angelina está com medo de perder o Brad Pitt e que Jennifer Aniston finalmente está tendo sua vingança.

Suponho, desde já, que as 10 pessoas que lêem meu blog saibam que há pouco tempo a Angelina Jolie admitiu que seu romance com Brad surgiu no set de filmagem do maravilhoso (sic) filme Sr. e Sra. Smith – na época, o ator ainda era casado com Aniston e rolou todo um drama sobre a separação deles.

Mas a manchete da revista é sobre a “humilhante traição” que Angelina teme que aconteça.

Seu marido Brad está em Berlim gravando o novo filme do Quentin Tarantino, Inglourious Basterds, cuja co-estrela é a atriz Diane Kruger. Dizem que eles já saíram pra jantar e rolou clima, que eles super se dão bem e que a atriz sempre teve uma queda pelo Brad.

Adendo:  “Dizem” é ótimo! Revistas e jornais do tipo tablóide (ou seja, sensacionalistas) nunca dizem a fonte que usam para obter as notícias. É sempre um amigo próximo, uma pessoa que trabalha na equipe ou um parente. Todos, claro, sem identificação. E isso é um dos fatores que causa a perda de credibilidade em tais veículos.

 

Mas quem é essa mulher que tem o poder de tirar o Brad Pitt da maravilhosa-linda-e-sensacional Angelina Jolie?

Diane, muito prazer.

- ou Helena de Tróia, para quem não sabe.

 

Post dedicado à Érica, amiga e blogueira, que perdeu o John Mayer para a Jennifer Aniston.

Sem Dado em casa

Filed under: Notas e Fatos,notícia boa!,Oi? — by Ana Paula @ 2:30 pm
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Eu não comento sobre Luana e Dado porque, se o fizesse, eu provavelmente não teria idéia sobre o que escrever – afinal, o que eu conheço sobre o casal se resume às manchetes dos jornais ou programas de fofoca que eu não assisto mais, que insistem em noticiar baboseiras sobre as sub-celebridades.

Por outro lado, Phelipe Cruz resume BEM minhas opiniões e risadas sobre as notícias envolvendo Luana e Dado (Piovani e Dolabella, respectivamente, caso você, Gasparzinho, ainda não entenda sobre quem estou falando).

30, set , 2008

Fetiche da velocidade

Filed under: Resenhando — by Ana Paula @ 5:54 pm
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Sylvia Moretzsohn é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com mestrado em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense e doutorado em Serviço Social pela UFRJ. Atualmente é professora de Jornalismo no Departamento de Comunicação Social da UFF.

Atua também como membro do conselho editorial da revista Discursos Sediciosos – crime, direito e sociedade, do Instituto Carioca de Criminologia. Sua atividade acadêmica é voltada principalmente para o estudo da relação entre jornalismo e informação em “tempo real” e dos vínculos entre jornalismo e cotidiano, cidadania e a “questão criminal”.

Fruto de sua dissertação de mestrado defendida na UFF, Jornalismo em “Tempo Real …” relata a fragilidade da notícia em meio à correria das redações que, atualmente, querem transmitir a informação em “primeira mão”. A autora analisa vários aspectos referentes a esse tema, uma vez que, nas redações atuais, a velocidade passa a ser mais importante que a notícia em si.

Uma das questões abordadas por Moretzsohn ao longo do livro é: “Como informar com rapidez sem desinformar?”. Para a autora, o ideal jornalístico de dizer a verdade contrasta com as condições reais de produção da notícia.

No início do primeiro capítulo, a autora discute a respeito da percepção humana de relação tempo x espaço, que varia conforme as culturas de cada povo. Em um apud de David Harvey, ela explica que a consolidação da moeda como meio de troca e o estabelecimento de novas regras sociais mudam a noção de tempo e espaço, afirmando, assim, uma nova ordem cultural e econômica: o capitalismo.

A velocidade é uma característica do capitalismo. Baseada nisso, Moretzsohn trata do contexto no qual se constitui a percepção de “aceleração do tempo” e a batalha para “chegar na frente” do concorrente.

A autora chama a atenção, a partir da pesquisa comparativa desenvolvida por Dominique Wolton e J.L. Lepigeon em 1979, que, após 20 anos, a informatização não representou – em jornalismo – a revolução esperada. Os procedimentos são os mesmos, o que muda é a concepção de tempo.

Sobre esse assunto, Moretzsohn cita: “[...] na era do “tempo real”, quando a informação deve ser instantânea para ter valor, o jornalismo mudou profundamente, a ponto de descaracterizar-se, embora os grandes conglomerados multimídia venham consolidando seu poder econômico e político”.

De acordo com Zygmunt Bauman, também citado no livro, o mercado investe na produção de eventos no campo de artes e espetáculos, buscando o retorno através do lucro e da valorização da imagem. Desta forma, a publicidade e a mídia passaram a ter papéis importantes no capitalismo, bem como a manipulação do gosto e da opinião.

Com o avanço tecnológico, torna-se mais fácil não apenas noticiar, como detalhar um assunto. De acordo com a autora, o uso de vídeos e sonoras permite situar melhor o leitor. No trecho: “a mídia disse: nós vamos mostrar a guerra inteira”, o caso era literal.

Sempre baseada em livros e estudos de outros autores, Moretzsohn utiliza linguagem técnica e explicativa, e retrata diversos fatores que moldam e cercam o ambiente jornalístico – capitalismo, noções de tempo e espaço e novas tecnologias são os assuntos do primeiro capítulo.

Jornalismo em “Tempo Real”… é uma crítica ao ambiente de imprensa atual, que associa qualidade de informação à velocidade, e expõe as implicações da “notícia como mercadoria”, como a perda de qualidade da notícia. Válido para estudantes de Comunicação, jornalistas formados e cidadãos já ambientados no conhecido capitalismo e imediatismo.

 

MORETZSOHN, Sylvia. Jornalismo em “Tempo Real” : O fetiche da velocidade. Editora Revan. 2002.

24, set , 2008

Repórteres, Audálio Dantas e a busca pela verdade

Filed under: Resenhando — by Ana Paula @ 1:27 pm
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O jornalista e escritor Audálio Dantas nasceu em 1929, no interior de Alagoas. Aos 25 anos iniciou sua carreira como repórter da Folha da Manhã, atual Folha de S. Paulo. Dantas atuou em importantes redações, como as das revistas O Cruzeiro, Quatro Rodas e Realidade, como redator e editor.

Dantas também foi Presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, elegeu-se Deputado Federal por São Paulo em 1979, é membro da União Brasileira de Escritores e vice-presidente de honra do Conselho Paulista de Defesa da Paz. Possui vários prêmios de jornalismo e fundou, em 2003, a empresa Audálio Dantas Comunicação e Projetos Culturais.

Dantas destacou-se no sindicalismo e na política, durante o regime militar. Cobriu o assassinato do jornalista Vladimir Herzog, no DOI-Codi de São Paulo, em 1975, época em que era Presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. A morte de Herzog trouxe de volta a questão da repressão política durante a ditadura militar, e é símbolo de uma época que nunca deve ser esquecida.

É a Vladimir Herzog que Audálio Dantas dedica o livro Repórteres, do qual também é organizador. O livro reúne textos de conceituados nomes do jornalismo, como Domingos Meirelles, Joel Silveira e José Hamilton Ribeiro, que relatam histórias dos bastidores de suas mais consagradas reportagens.

Repórteres é, certamente, original. Diferente dos demais livros feitos para jornalistas, une memórias de grandes nomes da imprensa e os métodos de investigação de seus autores, além da incansável busca pela informação. Ou melhor, pela boa informação.

O livro mostra claramente a distinção entre o repórter e os demais homens da comunicação. Cabe ao repórter buscar a verdade (ou, o mais próximo dela), mostrar aos cidadãos sua indignação e, mais que isso, deixá-los igualmente indignados. Bons repórteres contribuem com a história.

Audálio Dantas fala de suas variadas experiências em “A guerra no meio do caminho”, primeiro texto do livro. Dantas inicia a narrativa com um texto referindo-se ao fato de muitos repórteres encontrarem-se em uma situação inesperada, que exige coragem. O jornalista afirma que “[de um bom repórter] se exige, pelo menos, a coragem de espantar o medo nos momentos em que isso é preciso”.

Dantas descreve também os bastidores de sua matéria sobre a “Segunda Guerra de Canudos”, e como o cenário em que estava o impactava.

Um dos pontos fortes do livro é a narrativa de guerra, como as descritas por Zé Hamilton Ribeiro, no Vietnã, e as descritas por Joel Silveira durante a Segunda Guerra Mundial. Há também a “guerra do futebol” entre Guatemala e Honduras, explicada por Audálio Dantas: “[...] aquela guerra, que agora estava na iminência de se transformar num conflito sangrento, começara num estádio de futebol”. Na verdade, a batalha entre os países dava-se devido à imigração excessiva de salvadorenhos em Honduras – que tinha um território quase 6 vezes maior que El Salvador. Cada relato tem uma narrativa simples, emocionante e humana.

Repórteres marca devido às impactantes experiências de seus narradores, que nos remetem às reportagens descritas em uma época já distante. Remetem, também, a uma reflexão sobre o papel da imprensa – desde seus primórdios aos dias atuais.

Muitas das reportagens citadas no livro aconteceram no período militar, ou seja, época de censura prévia, Lei de Imprensa… Época na qual as matérias eram checadas e mutiladas pelo governo. Repórteres retrata a necessária busca pela liberdade de imprensa/liberdade de expressão. Os autores, cada qual com seu jeito, mostram as mazelas que vitimizam os cidadãos, como a violência, a miséria e a impunidade.

Essa liberdade de imprensa, tão almejada, é expressa pela linguagem e pelo compromisso com a verdade. Repórteres reúne profissionais que fazem jus ao conceito de jornalista e têm qualidades indispensáveis em um bom profissional da comunicação.

Repórteres não é voltado apenas aos estudantes de Jornalismo ou Comunicação mas, sim, às pessoas que crêem na busca pela verdade dos fatos. Recomendo.

DANTAS, Audálio. Repórteres. São Paulo: Editora Senac, 1998.

31, ago , 2008

Foi sem querer, querendo

Filed under: Notas e Fatos — by Ana Paula @ 3:00 pm
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Para quem não conhece, Steve Jobs é um dos Steves que fundou a empresa de informática Apple Computer, além de ser co-fundador do estúdio de animação Pixar. Jobs criou o primeiro computador da Apple em 76, na garagem de sua casa. Com menos de 10 anos de empresa, a Apple lançou o MacIntosh, primeiro computador pessoal que permite acessar um programa com o “clique” de um mouse sobre um ícone - até então, para tanto, era preciso digitar linhas e linhas de comandos considerados complexos para os não-iniciantes da tecnologia da época. 

Jobs é um dos executivos americanos mais conhecidos no mundo – é responsável pelo lançamento do Ipod e possui uma fortuna avaliada em $4,4 bilhões de dólares. 

Como você, Gasparzinho, deve ter notado, eu usei o verbo ser no presente. Ele é. Ele é rico, é influente e é pioneiro. Porém, semana passada, a Bloomberg  publicou acidentalmente um obituário de 17 páginas do empresário. A idade do executivo e a causa da morte estavam preenchidos por XXX, aguardando a informação correta. O texto foi tirado do ar rapidamente.

A Bloomberg trocou o obituário por uma correção: “Uma história incompleta referente à Apple Inc. foi publicada inadvertidamente pela Bloomberg News às 16:27, horário de Nova York, de hoje (quarta-feira, 27 de agosto). O item nunca deveria ter sido publicado e foi corrigido.”

Como algumas pessoas sabem, é normal alguns veículos manterem em  seus “bancos de armazenamento” notícias sobre a morte de uma pessoa influente, como um presidente, um grande ator ou um empresário notável, como Jobs. O que chama atenção neste caso é a necessidade que a Bloomberg teve de atualizar o obituário de Jobs.

Em 2004, Jobs enfrentou, com sucesso, uma cirurgia para retirar um tumor cancerígeno no pâncreas. Porém, em um evento em junho deste ano, Jobs apareceu para sua palestra muito magro, fato que fez com que os investidores se preocupassem com o estado de sua saúde.

Desde então, muito é especulado a respeito do estado real de saúde do empresário. Um colunista do New York Times escreveu um artigo sobre os rumores a respeito do executivo da Apple. A revista The Economist  publicou uma matéria em julho questionando a saúde de Jobs.

O obituário da Bloomberg dizia, entre outros, que Jobs “ajudou a tornar os computadores pessoais tão fáceis de usar quanto telefones”. O texto trazia ainda uma lista de pessoas que deveriam ser ouvidas, como Steve Wozniak, co-fundador da Apple, Bill Gates, da Microsoft, e o ex-vice-presidente americano Al Gore.

Leia mais sobre o obituário de Jobs na Bloomberg aqui. Enquanto isso, termino o post com as melhores frases de Steve Jobs, so far:

“Why join the navy if you can be a pirate?”

“You can’t just ask customers what they want and then try to give that to them. By the time you get it built, they’ll want something new.”

“I think we’re having fun. I think our customers really like our products. And we’re always trying to do better.”

“It’s rare that you see an artist in his 30s or 40s able to really contribute something amazing.”
At age 29, in Playboy, February 1985.

28, ago , 2008

O futuro dos jornais e da internet

Filed under: Notas e Fatos — by Ana Paula @ 1:39 pm
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Tecnologia, design, responsabilidade social e o cenário dos jornais no Brasil e no mundo. Esses foram alguns dos assuntos debatidos no 7° Congresso  Brasileiro de Jornais, que ocorreu nos dias 18 e 19 de agosto, em São Paulo.

Sob o tema “O Brasil e a Indústria Jornalística em 2020″, palestrantes nacionais e internacionais – entre eles o deputado Miro Teixeira, o diretor do Grupo Estado, Ricardo Gandour, e o ministro da Indústria e Comércio, Miguel Jorge – discutiram, principalmente, sobre a “reconstrução do jornal para a era digital”.

De acordo com pesquisa realizada este ano pela WAN (Associação Mundial de Jornais), o mercado americano registra frequentes quedas na circulação e no faturamento publicitário de seus jornais. Os números apresentados pela Associação Nacional de Jornais, ANJ, são idênticos.

Em países emergentes, como China, há um aumento contínuo  na circulação de jornais. No Brasil, desde 2004, a alta tem sido constante, assim como a recuperação no faturamento. No ano passado, o aumento de circulação dos jornais no País foi de 11,8%, além do crescimento na participação publicitária de mais de 16%.

A internet no Brasil também não fica para trás. De acordo com dados apresentados no Congresso por Caíque Severo, diretor de conteúdo do Portal IG, uma pesquisa do Datafolha aponta que o País alcança a marca de 59 milhões de internautas.

Durante o painel de encerramento do congresso, especialistas discutiram a respeito das novas perspectivas sobre o futuro do jornalismo impresso e a necessidade de mudanças radicais na área.

De acordo com Rosental Calmon Alves, jornalista que há anos leciona e estuda no Texas, “a sociedade indutrial está sendo substituída pela sociedade de informação e do conhecimento. Surge um outro sistema de mídia, e a internet é apenas a ponta mais  visível de uma nova revolução, a revolução digital”.

Para o ministro Miguel Jorge, em cerca de dez anos, a indústria brasileira de jornalismo “refletirá o Brasil de 2020: os jornais sobreviverão e se apropriarão das novas mídias em seu proveito”.

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Texto publicado no mural do Núcleo Experimental de Comunicação Plena da minha universidade. Baseado em notícias do Portal da Imprensa e do Observatório da Imprensa.

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