Paulinha Online

06, nov , 2008

Os quase heróis

Filed under: Crônicas — by Ana Paula @ 12:02 pm
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O “culto” às celebridades tem se fortificado nas últimas décadas. Milhares de pessoas em todo o mundo passam a consumir – quase literalmente – todos os tipos de informações sobre os famosos. Quando se trata de notícias sobre as celebridades, é fácil encontrar fatos cotidianos ou pouco relevantes tidos como “grande novidade” ou “bomba do momento”. São atores, atrizes, apresentadores e famosos em geral que perdem a privacidade têm suas vidas retratadas nos meios de comunicação ao redor do mundo.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o cidadão é nutrido com doses diárias de fotografias das celebridades hollywoodianas caminhando, almoçando, passeando, enfim, vivendo. Os paparazzi – termo italiano para fotógrafos de celebridades – caçam os famosos em busca de flagras e novidades sobre suas vidas particulares. Artistas como Madonna, Britney Spears, Brad Pitt e David Beckham vivem suas vidas cercados pelos olhos do público – este, por sua vez, também anseia por saber cada vez mais sobre os famosos. É um ciclo vicioso.

Britney e seus filhos, Jayden James e Sean Preston, são alvos constantes dos fotógrafos

Britney e seus filhos, Jayden James e Sean Preston, são alvos constantes dos fotógrafos

 

Aqui no Brasil, as coisas não são diferentes. Há, cada vez mais, programas pautados em torno das celebridades. Conseqüentemente, o público encontra-se envolto a este cenário e as opções para entretenimento ficam, muitas vezes, limitadas às notícias sobre este assunto.

Poderia discutir aqui o lado sociológico dos fatos e argumentar que os cidadãos “comuns” gostam de ver os artistas em seu dia a dia para sentirem-se próximos a eles e terem-nos como seres igualmente passíveis de erros. Afirmaria também que a mídia manipula as pessoas e que o público não controla o que a imprensa faz. Mas como estudante de Jornalismo e espectadora do show business, seria uma enorme falha justificar os acontecimentos apenas com algumas dessas citações. E isso aqui é um blog, não um livro.

O mercado das celebridades é lucrativo – que o digam os tablóides. Parece haver, cada vez mais, uma demanda maior por histórias (preferencialmente sórdidas) dos famosos. Os meios de comunicação são dotados de um poder capaz de transformar um cidadão comum em celebridade.

A modelo Kate Moss é perseguida pelos paparazzi desde o começo de sua carreira, no inicio dos anos 90

A modelo Kate Moss está sempre nos tablóides

Programas como Big Brother alcançam um enorme público – vide o número crescente de inscritos para cada nova edição do programa no Brasil. O crescimento dos shows de realidade em todo o mundo é um reflexo da cultura atual, consumista, que aponta a cada dia um novo herói na tevê. E a ânsia por ser um deles é igualmente enorme – seja por motivos financeiros, por almejar uma carreira sólida no ramo ou, simplesmente, por uma questão de ego.

 

Veja aqui as fotos mais caras de paparazzi da história. Nem sei o que comentar sobre a foto da Anna Nicole Smith.

27, out , 2008

Limites, por favor

Quanto você gastaria para ficar bonita (o)? Uma tarde em um spa, por $100 reais, é muito caro? Maquiagens importadas são um exagero? Cirurgia plástica? Silicone nos seios e um retoque no nariz? Para algumas pessoas, isso é muito pouco.

Sarah Burge é uma housewive comum. Casada, mãe de 3 filhos e dona de um salão de beleza, a inglesa de 49 anos já fez mais de 100 procedimentos de beleza, entre cirurgias e tratamentos estéticos, a fim de mudar sua aparência – gastando mais de 500 mil libras, o equivalente a $2 milhões de reais.

Sarah define suas operações como “correções”. Ela já subiu os seios, salientou o queixo, diminuiu o nariz e – pasmem – aumentou as bochechas. E ela não queria perecer o Kiko, do Chaves.

Ela quer ser como a boneca Barbie. Antes dela, a americana Cindy Jackson havia batido o recorde de cirurgias para assemelhar-se à boneca. Eu tinha cerca de 11 anos quando li na revista Cláudia, da minha mãe, uma matéria “antes e depois” com a Cindy. Lembro de ter relido aquilo várias vezes porque, na minha cabeça, sua atitude não era sã.

Veja bem, eu acho a Barbie bonita. Quer dizer, para uma boneca, ela realmente é. Lembro de ter lido ou visto na tv que, em proporções reais, a Barbie verdadeira teria seios tão grandes que alcançariam a pessoa que estivesse à sua frente na fila do banco, por exemplo. Haja incoveniência.

Voltando às moças, a Sarah Burge chegou até mesmo a remover a primeira camada da pele facial para parecer mais jovem. Nessas horas, não seria melhor um botox? As partes de seu corpo que não podem ser cortadas ou esculpidas foram corrigidas com botox, lasers ou algo do tipo. As únicas partes de seu corpo que não foram tocadas pelos médicos foram seus pés. “Eu até gosto deles”, disse em entrevista ao Daily Mail, online

Mas as loucuras cosméticas não se limitam às inglesas. Aqui no Brasil, a  Sheyla Hershey é dona dos maiores seios da América Latina. A capixaba, que reside no Texas, já fez mais de 18 cirurgias plásticas, a maioria nos seios. Hoje, ela tem mais de 5,5 litros em cada peito – acho que a última cirurgia dela foi semana retrasada ou algo assim.

Seu nome real é Sheyla Almeida – O “Hershey” surgiu após uma falta de criatividade enorme mudar-se para os Estados Unidos e casar-se. Em seu site oficial, Sheyla se define como cantora, atriz, modelo e dançarina (eu também danço, vale pôr no currículo?). Ela também já fez retoques no nariz, lábios e bumbum.

Sheyla já declarou várias vezes que seus médicos a advertiram sobre a quantidade de silicone em seus seios e sobre os riscos que ela correria – inclusive, o Dr. Robert Rey, cirurgião plástico brasileiro integrante do reality show Dr. 90210, sugeriu que Sheyla parasse nos 3 litros de silicone em cada seio. Mas ela não párou.

Eu acho que essas mulheres brincaram demais de Barbie. Ou não tiveram infãncia. Ou, simplesmente, não têm noção – o que é o mais provável. Posso generalizar e dizer aqui que todos nós gostamos de estar belos e atraentes (eu pelo menos não conheço quem goste de parecer feio para os outros). Mas há na sociedade, há muito, um apelo de consumo demasiado, que acaba surtando nesses casos absurdos.

Sim, eu gosto da Barbie. Quando era menina, eu brincava com a boneca. Tinha a Barbie cowboy, Barbie sereia, Barbie isso, Barbie aquilo. Mas eu nunca quis parecer alguma delas. Nem as minhas bonecas pareciam com isso:

Sarah Burge e sua idéia de Barbie humana

 

Adendo: antes e depois da “Barbie” acima, aqui!

 

Pra ler ouvindo: Barbie Girl

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