Sylvia Moretzsohn é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com mestrado em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense e doutorado em Serviço Social pela UFRJ. Atualmente é professora de Jornalismo no Departamento de Comunicação Social da UFF.
Atua também como membro do conselho editorial da revista Discursos Sediciosos – crime, direito e sociedade, do Instituto Carioca de Criminologia. Sua atividade acadêmica é voltada principalmente para o estudo da relação entre jornalismo e informação em “tempo real” e dos vínculos entre jornalismo e cotidiano, cidadania e a “questão criminal”.
Fruto de sua dissertação de mestrado defendida na UFF, Jornalismo em “Tempo Real …” relata a fragilidade da notícia em meio à correria das redações que, atualmente, querem transmitir a informação em “primeira mão”. A autora analisa vários aspectos referentes a esse tema, uma vez que, nas redações atuais, a velocidade passa a ser mais importante que a notícia em si.
Uma das questões abordadas por Moretzsohn ao longo do livro é: “Como informar com rapidez sem desinformar?”. Para a autora, o ideal jornalístico de dizer a verdade contrasta com as condições reais de produção da notícia.
No início do primeiro capítulo, a autora discute a respeito da percepção humana de relação tempo x espaço, que varia conforme as culturas de cada povo. Em um apud de David Harvey, ela explica que a consolidação da moeda como meio de troca e o estabelecimento de novas regras sociais mudam a noção de tempo e espaço, afirmando, assim, uma nova ordem cultural e econômica: o capitalismo.
A velocidade é uma característica do capitalismo. Baseada nisso, Moretzsohn trata do contexto no qual se constitui a percepção de “aceleração do tempo” e a batalha para “chegar na frente” do concorrente.
A autora chama a atenção, a partir da pesquisa comparativa desenvolvida por Dominique Wolton e J.L. Lepigeon em 1979, que, após 20 anos, a informatização não representou – em jornalismo – a revolução esperada. Os procedimentos são os mesmos, o que muda é a concepção de tempo.
Sobre esse assunto, Moretzsohn cita: “[...] na era do “tempo real”, quando a informação deve ser instantânea para ter valor, o jornalismo mudou profundamente, a ponto de descaracterizar-se, embora os grandes conglomerados multimídia venham consolidando seu poder econômico e político”.
De acordo com Zygmunt Bauman, também citado no livro, o mercado investe na produção de eventos no campo de artes e espetáculos, buscando o retorno através do lucro e da valorização da imagem. Desta forma, a publicidade e a mídia passaram a ter papéis importantes no capitalismo, bem como a manipulação do gosto e da opinião.
Com o avanço tecnológico, torna-se mais fácil não apenas noticiar, como detalhar um assunto. De acordo com a autora, o uso de vídeos e sonoras permite situar melhor o leitor. No trecho: “a mídia disse: nós vamos mostrar a guerra inteira”, o caso era literal.
Sempre baseada em livros e estudos de outros autores, Moretzsohn utiliza linguagem técnica e explicativa, e retrata diversos fatores que moldam e cercam o ambiente jornalístico – capitalismo, noções de tempo e espaço e novas tecnologias são os assuntos do primeiro capítulo.
Jornalismo em “Tempo Real”… é uma crítica ao ambiente de imprensa atual, que associa qualidade de informação à velocidade, e expõe as implicações da “notícia como mercadoria”, como a perda de qualidade da notícia. Válido para estudantes de Comunicação, jornalistas formados e cidadãos já ambientados no conhecido capitalismo e imediatismo.
MORETZSOHN, Sylvia. Jornalismo em “Tempo Real” : O fetiche da velocidade. Editora Revan. 2002.

