Paulinha Online

24, set , 2008

Repórteres, Audálio Dantas e a busca pela verdade

Filed under: Resenhando — by Ana Paula @ 1:27 pm
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O jornalista e escritor Audálio Dantas nasceu em 1929, no interior de Alagoas. Aos 25 anos iniciou sua carreira como repórter da Folha da Manhã, atual Folha de S. Paulo. Dantas atuou em importantes redações, como as das revistas O Cruzeiro, Quatro Rodas e Realidade, como redator e editor.

Dantas também foi Presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, elegeu-se Deputado Federal por São Paulo em 1979, é membro da União Brasileira de Escritores e vice-presidente de honra do Conselho Paulista de Defesa da Paz. Possui vários prêmios de jornalismo e fundou, em 2003, a empresa Audálio Dantas Comunicação e Projetos Culturais.

Dantas destacou-se no sindicalismo e na política, durante o regime militar. Cobriu o assassinato do jornalista Vladimir Herzog, no DOI-Codi de São Paulo, em 1975, época em que era Presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. A morte de Herzog trouxe de volta a questão da repressão política durante a ditadura militar, e é símbolo de uma época que nunca deve ser esquecida.

É a Vladimir Herzog que Audálio Dantas dedica o livro Repórteres, do qual também é organizador. O livro reúne textos de conceituados nomes do jornalismo, como Domingos Meirelles, Joel Silveira e José Hamilton Ribeiro, que relatam histórias dos bastidores de suas mais consagradas reportagens.

Repórteres é, certamente, original. Diferente dos demais livros feitos para jornalistas, une memórias de grandes nomes da imprensa e os métodos de investigação de seus autores, além da incansável busca pela informação. Ou melhor, pela boa informação.

O livro mostra claramente a distinção entre o repórter e os demais homens da comunicação. Cabe ao repórter buscar a verdade (ou, o mais próximo dela), mostrar aos cidadãos sua indignação e, mais que isso, deixá-los igualmente indignados. Bons repórteres contribuem com a história.

Audálio Dantas fala de suas variadas experiências em “A guerra no meio do caminho”, primeiro texto do livro. Dantas inicia a narrativa com um texto referindo-se ao fato de muitos repórteres encontrarem-se em uma situação inesperada, que exige coragem. O jornalista afirma que “[de um bom repórter] se exige, pelo menos, a coragem de espantar o medo nos momentos em que isso é preciso”.

Dantas descreve também os bastidores de sua matéria sobre a “Segunda Guerra de Canudos”, e como o cenário em que estava o impactava.

Um dos pontos fortes do livro é a narrativa de guerra, como as descritas por Zé Hamilton Ribeiro, no Vietnã, e as descritas por Joel Silveira durante a Segunda Guerra Mundial. Há também a “guerra do futebol” entre Guatemala e Honduras, explicada por Audálio Dantas: “[...] aquela guerra, que agora estava na iminência de se transformar num conflito sangrento, começara num estádio de futebol”. Na verdade, a batalha entre os países dava-se devido à imigração excessiva de salvadorenhos em Honduras – que tinha um território quase 6 vezes maior que El Salvador. Cada relato tem uma narrativa simples, emocionante e humana.

Repórteres marca devido às impactantes experiências de seus narradores, que nos remetem às reportagens descritas em uma época já distante. Remetem, também, a uma reflexão sobre o papel da imprensa – desde seus primórdios aos dias atuais.

Muitas das reportagens citadas no livro aconteceram no período militar, ou seja, época de censura prévia, Lei de Imprensa… Época na qual as matérias eram checadas e mutiladas pelo governo. Repórteres retrata a necessária busca pela liberdade de imprensa/liberdade de expressão. Os autores, cada qual com seu jeito, mostram as mazelas que vitimizam os cidadãos, como a violência, a miséria e a impunidade.

Essa liberdade de imprensa, tão almejada, é expressa pela linguagem e pelo compromisso com a verdade. Repórteres reúne profissionais que fazem jus ao conceito de jornalista e têm qualidades indispensáveis em um bom profissional da comunicação.

Repórteres não é voltado apenas aos estudantes de Jornalismo ou Comunicação mas, sim, às pessoas que crêem na busca pela verdade dos fatos. Recomendo.

DANTAS, Audálio. Repórteres. São Paulo: Editora Senac, 1998.

3 Comentários »

  1. fiquei com vontade de ler. me interesso muito sobre histórias de jornalistas que cobriram épocas de ditadura, mais até do que as de guerra.



    Certeza, até porque é mais interessante e oportuno para nós, como brasileiros, nos interessarmos pela nossa história, ainda mais na época da ditadura! Beijos!

    Comentário por Patricia C. — 25, set , 2008 @ 5:26 pm |Responder

  2. Olá! Parabéns pela resenha do livro. Terminei de lê-lo ontem, sou estudante de jornalismo e inclusive vou ter prova dele essa semana!
    Aí resolvi procurar algo a mais sobre o livro, como comentários e resumos que ajudem no estudo. Seu texto me ajudou bastante a esclarecer e juntar “os cacos”, já que são diversas histórias!
    Realmente é fascinante a forma que eles descrevem seus momentos de fazer uma boa reportagem… Legal mesmo ^^
    Também recomendo ;]

    hehe, adorei seu blog, até!

    Comentário por Dani Feltrin — 30, abr , 2009 @ 2:43 pm |Responder

  3. Estou lendo esse livro para um trabalho na faculdade e a linguagem descrita acima me auxilio em pontos de questionamento sobre a leitura.Obrigada, o livro que realmente muito interessante. =)

    Comentário por Mirtes Anjos — 30, abr , 2009 @ 5:19 pm |Responder


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